Talvez não saibas, porque provavelmente nunca te disse, mas desde os tempos da faculdade, que é como quem diz, das 'Escadinhas da Praia', ali à 24 de Julho, que tenho em muita consideração as tuas palavras e as tuas observações.
Aqui tens uma pequenina prova disso mesmo :)
segunda-feira, 12 de abril de 2010
morar em ti
Até parece que veio directa do coro da igreja para o palco... mas estas letras eram bem atrevidotas!
"preciso morar em ti ... demora em mim..."! muy bien!
É pena a orquestração: na maior parte da canção, a rapariga canta para um lado e a orquestra toca para o outro...
domingo, 11 de abril de 2010
Carne Viva
O meu primeiro frente a frente com a obra de Lucien Freud, aconteceu em Barcelona, numa grande retrospectiva da sua pintura e não correu nada bem.
Tantos nus e tanta carne exposta agoniaram-me, de alguma maneira. Aquela impressão crua e rude por todo o lado… Vi o que tinha a ver e saí, aliviada. E “pálida”, como bem notou o P., quando nos encontrámos, já na rua.
Desapontado com a (aparente) falta de sintonia entre mim e a obra de Lucien, mas compreensivo e sempre generoso com os seus conhecimentos, P. achou que era boa altura para me levar ao bar mais mal frequentado de toda a Catalunha. -“Vais ver - segredou-me -, é onde se preparam as mais fantásticas margaritas de todo o universo”. E era! Além de deliciosas eram tão simpáticas que se voluntariaram logo para me levar a palidez e o mal-estar. A esta distancia não sei dizer bem se foi disso, se da companhia, ou simplesmente da consequência trágica do que fica inacabado, o certo é que no dia seguinte dei comigo novamente em frente àqueles quadros. E no outro. E, depois, no outro!
Lucien Freud diz que «a aura que se liberta de uma pessoa é tanto parte dela quanto a sua carne» e é esta dimensão orgânica que lhe interessa captar para as telas que lhe saem das mãos através dos grossos pincéis de cerda de porco. Importa-lhe sobretudo o espaço físico que ocupamos e o efeito que isto produz à nossa volta. Por isso, observa e analisa aturadamente os objectos (corpos) que pinta, quase à exaustão. Daí tanta carne. E isso é tão verdade quando pinta o avantajado actor porno, Leigh Bowery, a rainha de Inglaterra, ou a sua própria mãe. Diz: “Gosto de ver as pessoas tão naturalmente e fisicamente à vontade como os animais” . Freud não faz retratos, tem horror à imitação, antes «pinta a pessoa real» intensificada, com rugas, varizes, cicatrizes, gordura…
Passa-se uma vez em frente ao quadro e vemos uma pessoa que nos é repugnante. À segunda, já é repulsiva. E a partir da terceira, já é quase atraente…
Sendo neto de Sigmund Freud, não deixa de ser curioso este interesse quase obsessivo pela dimensão fisiológica em detrimento da psicológica. Gosto de pensar que é uma embirração dele contra a tralha psicológica com que o entupiram durante a sua infância e juventude. Uma libertação!
Seja o que for, para mim, os quadros de Lucien Freud estão, além de tudo, impregnados daquela quase fatalidade que a arte carrega e que tanto fascina: não terminam quando acabam…
quinta-feira, 8 de abril de 2010
À primavera e ao amor...
Não sou nada o género forreta, mas estes morangos vermelhos e carnudos custaram-me 2.20€. Uma pequena roubalheira, que me doeu, porque sou avessa a roubalheiras descaradas. Fiquei azeda, logo ali na mercearia! Felizmente, porque há sempre um felizmente, os morangos estavam doces e descongestionaram-me à primeira mordida! Esqueci logo a estupidez do dinheiro que dei por eles.
Antes de os devorar, porém, fotografei-os. Ei-los! Brindo com eles à primavera e ao amor.
Estejam onde estiverem...
Sonha que sonha
Dili sonha que sonha com um sonho que parece não ter fim.
Noite após noite. Um sonho sem fim. Com um cão lá dentro.
Parece impossível,
mas parecendo que não,
isto está a dar cabo dela!
Noite após noite. Um sonho sem fim. Com um cão lá dentro.
Parece impossível,
mas parecendo que não,
isto está a dar cabo dela!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Wordwanker
Person who types random words or phrases into search engines in a vain attempt to find some sort of happiness to occupy their usually sad, loneley lives.
Spring me
A letter from Tripoli:
Oh Kiev ... look at you! allways complaining about everything and everybody! ( i need this, don´t need that; this is good to me, this is not; i like her, not anymore; he´s good, she´s bad...).
Don´t smile at me that way, please! It makes you look sad and lonely... even more! and it hurts me. mean it! really!
You need someone to spring you, baby. That´s just what you need, she said.
Oh Kiev ... look at you! allways complaining about everything and everybody! ( i need this, don´t need that; this is good to me, this is not; i like her, not anymore; he´s good, she´s bad...).
Don´t smile at me that way, please! It makes you look sad and lonely... even more! and it hurts me. mean it! really!
You need someone to spring you, baby. That´s just what you need, she said.
terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Vítimazinha
Ao N. assenta-lhe bem o papel de vítima. É um picante como outro qualquer. Há quem prefira procurá-lo frente a frente, nos olhos do touro. Doa o que doer!
O género do N. é mais aquela coisa pantanosa, doentia até, nem para a frente, nem para trás. Diz que não, mas queria era dizer que sim, ou ao contrário. Porque é o que lhe parece bem. Mas não tem a coragem necessária para encaixar isso e seguir em frente. Fica ali a vitimazinha a auto-flagelar-se, a cuspir ácido sulfúrico, a transformar o amor em ódio, a magicar vinganças ridículas e a remoer ideias falsas, que desconhece, mas que também não tem a coragem de enxergar e esclarecer. Porque o que gosta mesmo é ouvir aos outros e a si próprio: - coitado! sofre tanto... fazem-lhe tanto mal... pobre diabo! É um génio e é enganado e mal-tratado!
É o eco desta lamúria infantilóide que excita verdadeiramente o N.!
E os outros? alguma vez pensaste o que sentem? como os magoas? Consegues pensar em mais alguém além ti próprio, vitimazinha?
A procissão vai no adro e vai linda!
Houve um tempo em que apenas e somente aos homens era permitido transportar o andor durante a procissão. Regras são regras e homens são homens, já se sabe! Às mulheres sobra-lhes em ideias e outras ligeirezas o que lhes falta em força de ombros! Curvam demasiado, não andam a direito...
E os santos pesam muito. E são santos!
Mas eis senão quando veio outro tempo! A todos apanhou distraídos, tal foi a lentidão silenciosa com que se instalou. Neste outro tempo, os poucos homens de que se fala na aldeia, estão velhos, ou doentes, ou mortos.
"A procissão não pode acabar" diz o povo, sempre tão sábio e sensato! Pois siga então a procissão.
Reparei no padre, meio-cabisbaixo, disfarçado mesmo, entre o seu rebanho.
Mas os santos não se queixaram, pareceu-me mesmo que gostaram.
Muito?
É bom, porque vão repetir!
eu rimo, tu rimas
Palavras sábias para apreciar enquanto se está vivo. O que não deixa de ser injusto, imerecido, um desperdício!
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