quinta-feira, 2 de junho de 2016

contar coisas

Cruzei-me com R. num evento de trabalho um pouco diferente. Não perguntei e fiquei a saber uma data de coisas: que tem uma maneira própria de trabalhar-; faz assim, assim é que é e orgulha-se disso. Contou coisas passadas e que lhe ficaram, por exemplo, esta cliente: -"R. acha que dá tempo para ir ao cabeleireiro, antes de ser atendida?  R. compreende estas pessoas muito bem, pois que vão arranjar.-se,  -  "sim, dá perfeitamente tempo", respondeu-lhe,  com uma certa afectação na voz, a denunciar uma familiaridade snob. Soa estranho tratarem-no assim, porque  no trabalho é tudo muito higiénico com os clientes.

Algumas colegas irritam-no muito, a Minnesota é uma delas, porque insiste com os clientes, "até ao vómito"!, como ele diz. Conheço-a, é uma de cabelos longos, como a Maria Magdalena.  R. deve odiá-la e digo isto porque ele estava a soletrar e reforçar as silabas, enquanto desfiava sobre ela.
R. fala sempre no mesmo tom, quase sussurra e mantém o mesmo semblante e costas direitas, diga o que disser. Surpreende-nos com um soufflé aveludado, mas antes de o servir, cuspiu-lhe.
Tenho de me esforçar para ler-lhe os lábios, porque está a contar estas coisas enquanto a apresentadora fala e eu não consigo dar atenção aos dois ao mesmo tempo. Evito mandá-lo calar.  Tenho sempre esta ideia que não devemos ser rudes com as pessoas que nos escolhem para contar as suas coisas.

o lodo da indecisão, com folha de Palmeira


terça-feira, 31 de maio de 2016

picar o ponto

A indecisão é um dos traços mais irritantes em Norma. Quando chegou à fila , já levava apenas Berlin na mão, depois de 45m de vida mergulhados no lodo da indecisão, mas é certo e sabido que a Norma, até ao último momento podia ainda ter mudado de ideias. É pessoa para esperar na fila , pagar e voltar atrás para trocar e ficar a decidir por mais um tanto: Salter? Ferrante? Ove? Berlin? Desta vez isso não aconteceu. Saiu a correr, porque já ia tarde para picar o ponto no trabalho.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

é o que terás

 É o que tens para lhe dar.  

Pérolas

ele disse - gosto de ti como da primeira vez! e enrolou o último crepe mole no que sobrou do cebolinho e do pato. Pincelou de vermelho espesso e engoliu, evitando o olhar dela, ainda esfomeado.

animais.

Levou-a a um chinês porco. Comeram pato à Pequim para comemorar o ano do macaco.