"Lucas permaneceu imóvel junto à máquina, se bem que fossem horas de ir para casa. A máquina tinha o aspecto de sempre, correia e alavancas, roda dentada.
-Quem precisa de temer a fusão? - disse Lucas.
Mas ele tinha medo. Temia a persistência da máquina, a sua capacidade para estar ali, sempre ali, e a sua própria obrigação de regressar a ela depois de um breve intervalo para comer e dormir. Um dia voltaria a perder-se nos seus pensamentos, e seria arrastado para dentro da máquina, tal como Simon. O seu corpo seria estampado (quatro à largura, seis ao comprimento), e expelido; seria metido num caixão e transportado para a outra margem do rio, de tal modo desfigurado que ninguém o reconheceria, nem os vivos, nem os mortos".
in "Dias Exemplares" , p. 45
Michael Cunningham
tradução de Rui Pires Cabral
Gradiva
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Um livro semi-exacto
Antes de entrar em "Dias Exemplares" tropecei numa nota onde o autor, Michael Cunningham, explica que o livro é "semi-exacto".
O que é exactamente, um livro 'semi-exacto", Michael?
Resposta: "mistura ficção com realidade" !
O que é exactamente, um livro 'semi-exacto", Michael?
Resposta: "mistura ficção com realidade" !
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