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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Considerações nada concisas sobre o excesso

Ludovico não era um desses homens vulgares. Era um homem feio.
- Desumano, de tão feio, ouvi-as dizer, entretidas a descaroçar frutos difíceis para a geleia.
Há algo nas pessoas feias que nos faz querer continuar a falar delas e sobre elas e eu não estou muito certa sobre a razão disso. Deve ser do excesso. Como não prestar atenção ao que nos ultrapassa?

Ludovico era um homem feio e não deixou a Lourença outra alternativa senão a de sucumbir ao excesso e cair desamparada numa paixão que elas diziam louca, mas que se veio a revelar cega.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Rosas e Vermes

Este ano, Papai Noël surpreendeu-me com "Songs of Innocence and of Experience- showing the two contrary states of the human soul". William Blake não só escreveu, como tratou da impressão, himself (1789).
Edição bilingue, delicadamente ilustrada, capa dura, que prontamente mostrei à Vi e ao Alfredo, dois apaixonados por poesia, por Blake, e um pelo outro (digo eu)!
Foi o Alfredo que abriu na página 39 (ao calhas, diz ele!) e anunciou, "The Sick Rose":

Ó Rosa estás doente.
O verme invisível,
Que voa na noite
Na tormenta horrível,
Descobriu-te a cama
Carmim garrida:
Seu negro amor secreto
Destrói tua vida.