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| quem quiser também pode dizer "amargosa" , ou "dente-de-leão" |
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
amor-dos-homens
Acabei de descobrir que esta singela planta também se chama "amor-dos-homens".
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Ideias verdadeiramente úteis para o dia dos namorados
No dia dos namorados esqueça os ipads e ofereça-lhe livros. Manter a mente a carburar, é bom, mas se o pudermos fazer com uma mão livre, tanto melhor.
Parecendo que não, isto tem a sua importância.
Parecendo que não, isto tem a sua importância.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Título
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| natureza morta com diospiro |
(Mas sei que há quem coma. Até por precaução e receio de acidentes cardiovasculares)
O Outono é curioso, mas ainda estou à espera da chegada dos diospiros.
Atenção aos diospiros quase maduros,
têm um cheiro excessivamente delicado. Quase nada.
Prefiro cheiros tóxicos,
no início.
É uma cor linda, a dos diospíros, mas por estranho que pareça considero o verde a cor mais inusitada que existe. Dependendo da tonalidade, tanto pode ser enfadonho, como sedutor e muito luxuriante, até. Mas nunca vulgar.
O meu preferido é o verde corpulento das folhas de japoneira, quando brilham à luz das manhãs geladas de Inverno.
Não é nada fácil vestir verde.
Não é nada fácil comer um diospiro.
sábado, 24 de julho de 2010
Mau hálito
A gramática é a alegria da vida, disse às tantas Emma Robinson. Disse-o em inglês, a sua língua mãe, e usou a entoação certa.
Sorrimos. Ela, um sorriso delicado, mas franco e seguro.
Emma podia ter dito: o vinho é a alegria da vida. Nada mais acertado.
Ao ouvir isto, teríamos olhado uma para a outra e aposto que teríamos rido com satisfação. Com uma enorme gargalhada, a lembrarmo-nos dos vinhos que já descobrimos juntas.
Mas o que Emma disse foi: a gramática é a alegria da vida.
E acrescentou :
Encontrar erros de gramática num bilhetinho de amor é tão desanimador como mau hálito.
Sorrimos. Ela, um sorriso delicado, mas franco e seguro.
Emma podia ter dito: o vinho é a alegria da vida. Nada mais acertado.
Ao ouvir isto, teríamos olhado uma para a outra e aposto que teríamos rido com satisfação. Com uma enorme gargalhada, a lembrarmo-nos dos vinhos que já descobrimos juntas.
Mas o que Emma disse foi: a gramática é a alegria da vida.
E acrescentou :
Encontrar erros de gramática num bilhetinho de amor é tão desanimador como mau hálito.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dar e Receber
Para suportar o rigoroso Inverno catalão, na sua gélida habitação mal vedada, de bairro social decadente nos arrabaldes de Barcelona, Pepe Carvalho, o magnífico e nada inútil, detective privado Pepe Carvalho, acende a lareira fazendo uso (queimando) dos seus muitos e amados livros. Pouco dado a conversas e tagarelices, isso sim, inúteis, Carvalho, o galego mais catalão, passou boa parte da sua existência mergulhado em páginas e páginas, capas, contra-capas, lombadas, livros de bolso e de prateleira, bem e mal escritos, assim-assim, belos, xaroposos, fraudulentos, com amor e guerras, gente bonita e feia, sexo e falta dele – o que faz toda a diferença -, mas todos, todos a cheirar a livros.
Gostava de os ler! E com eles só uma regra: cada um dá e recebe o que há para dar e receber!
Aquecia. E ouvia o crepitar e às vezes estalar mesmo das lombadas mais duras e o quase inaudível fchfchchchchc das letras a irem-se, consumidas, no vazio despropocionado da sala-de-estar. O dia rebobinado e ele a matutar no enigmático caso "Mares do Sul" e na ricaça boazona suspeita (primeiríssima) de ter dado sumiço ao marido, um mistério mesmo, mesmo à medida de Carvalho.
Pensar, exige um mínimo de conforto.
E o fogo consegue ser tão magnético!
Guerra e Paz, Os Idiotas, Cervantes, e o que fosse, desde que cumprissem com o acordado: mantê-lo aquecido! Dar, o que havia para dar!
Haveria de aparecer Charo, a sua Charo, já estafada da ronda da noite e a pedir calor.
______________________________
* Através d’ “Os Mares do Sul” (1979) conheci Manuel Vásquez Montalbán e o seu (alter-ego?), detective privado, Pepe Carvalho. Foi paixão à primeira vista!
É onde se encontra a metáfora dos livros atirados à lareira, que é das mais belas e despretensiosas que já li!
** Este textinho que acabei de escrevinhar dedico-o ao meu muito amigo Joaquim Miranda, através de quem conheci pessoas inesquecíveis, entre as quais, ele próprio e o Vásquez Montalbán!
Um enorme abraço, Joaquim!
Gostava de os ler! E com eles só uma regra: cada um dá e recebe o que há para dar e receber!
Aquecia. E ouvia o crepitar e às vezes estalar mesmo das lombadas mais duras e o quase inaudível fchfchchchchc das letras a irem-se, consumidas, no vazio despropocionado da sala-de-estar. O dia rebobinado e ele a matutar no enigmático caso "Mares do Sul" e na ricaça boazona suspeita (primeiríssima) de ter dado sumiço ao marido, um mistério mesmo, mesmo à medida de Carvalho.
Pensar, exige um mínimo de conforto.
E o fogo consegue ser tão magnético!
Guerra e Paz, Os Idiotas, Cervantes, e o que fosse, desde que cumprissem com o acordado: mantê-lo aquecido! Dar, o que havia para dar!
Haveria de aparecer Charo, a sua Charo, já estafada da ronda da noite e a pedir calor.
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* Através d’ “Os Mares do Sul” (1979) conheci Manuel Vásquez Montalbán e o seu (alter-ego?), detective privado, Pepe Carvalho. Foi paixão à primeira vista!
É onde se encontra a metáfora dos livros atirados à lareira, que é das mais belas e despretensiosas que já li!
** Este textinho que acabei de escrevinhar dedico-o ao meu muito amigo Joaquim Miranda, através de quem conheci pessoas inesquecíveis, entre as quais, ele próprio e o Vásquez Montalbán!
Um enorme abraço, Joaquim!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
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