quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Nódoas

Está ali muito direita a falar sobre coisas. Gesticula. Traz uma blusa com rendas. Perfeição para cá, perfeição para lá! - não podemos vacilar, tem de ser tudo perfeito!  Usa palavras fortes e que lhe enchem a boca. Eu estou muito perto,  a olhar. Quero ouvir com toda a atenção, tomar o sentido daquelas palavras tão importantes, mas em vez disso a minha atenção desvia-se para as nódoas amarelas da blusa rendada que já foi só branca. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Poesia e Ciência


Para saberes verdadeiramente se é de Poesia que se trata, terás de o submeter ao crivo da Ciência. Na Poesia a Ciência não toca. Nada pode contra o sublime. Agora se for engodo, a Ciência humilha, esfrangalha, esvazia, maltrata... mas ao menos ficas a saber o que tens e o que te sobra.

Foi o que fez Newton com o Arco Iris, queixou-se Keats, quando o reduziu ao efeito da luz num prisma, destruindo toda a sua poesia.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

É brisa, é carrossel!

 Ela afirmava que era uma brisa, nada mais. Apenas uma brisa que vem e vai, mas deixa tudo no seu sítio. - Não te preocupes, tanto, dizia-lhe. - Vamos tomar o refresco da brisa, faz tanto calor aqui!
 Ele, não exactamente com estas palavras, chamava-lhe a loucura de um carrossel de Verão.
 - É a vertigem de uma volta sem freio, não caias, não te agarres a mim. Não digas que não te avisei. 
O carrossel passou muitas vezes, mas ninguém consegue dizer ao certo quantas e quantas voltas ficaram por dar.   


 Se era brisa, se era carrossel... 
era brisa e era carrossel...







quarta-feira, 12 de agosto de 2015

imagem estival

Sim, corri com umas das fotos dali para fora. Estava a prejudicar a harmonia. Não tinha um conceito próprio, nem uma estória, um minúsculo mistério, Nada!
Entendi logo  que se tratava de uma daquelas imagens mais do mesmo, como tantas outras imagens estivais que já vi o ano passado, e o outro e o outro, mas não resisti a capturá-la e sujei-me o olhar. Engordurei-o com aquilo.
 Capturei-a e ela ali ficou, singela, no meio das outras. A mesma beleza nauseabunda, de sempre!  Expulsei-a.
Não tenho nada contra as imagens estivais,
 longe disso.

o justo florescerá como a palmeira.








a minha favorita :-)




terça-feira, 11 de agosto de 2015

a mando

Foi a mando que usou a Glock pela primeira vez .
A mando e nunca mais parou.
Amando?
A mando d´ele.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pobre chien!

Era um cão que andava a aprender a língua francesa. Aulas particulares ao final da tarde, quando a canícula amainava e o bicho já pouco assanhava. Estava mortinho por se ouvir com sotaque, mas notava poucos progressos e demasiado esforço físico.
- Recolha a língua, ordenava-lhe  Mme Dujardin, pela centésima vez. - O seu problema é língua em demasia! Francês não é para linguarudos.