sábado, 3 de julho de 2010

J'ai choisi une fenêtre de verre


                                                 Oui, oui, j´aime bien du pain chaud!
                                       Et (du) Chopin, aussi.
Mas não gosto de me pentear!
E ainda gosto menos de comer caracóis. Nem mesmo quando eles se chamam escargots e até conseguem ter uma aparência sofisticada e deliciosa. Blargh! Non, merci! Mas não me importo de ficar ali sentada a ouvir, les escargots para cá, les escargots, para lá.
Des escargots... j´aime bien le dire!

Viva, Maradona!

A Argentina vai abandonar o Mundial e eu já não quero ver mais nada! Nada!
Que desolação! Estou tão triste!

Viva, Maradona!
Viva!
Viva, Maradona!
Viva!
Viva, Maradona!
Viva!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sobre homens no mar. Sem compromisso.


           
Aproveitei a viagem para reler 'The Sea Wolf', do Jack London e quando acabei fiquei com vontade de rever 'O Negro do Narciso', do Conrad e seguir para a 'Peregrinação', do Mendes Pinto.
-Por esta ordem, disse-lhe.


Ela, para mim: A vossa literatura tem uma ligação especial com o mar…

Tem?

London, que não é nenhum especialista em 'literatura do mar',escreve assim: "...no dia seguinte, enquanto a tormenta ia amainando, Wolf Larsen e eu estudámos apressadamente anatomia e cirurgia e ligámos as costelas de Mugridge. Depois, já com bom tempo, Wolf Larsen navegou em torno do local onde encontráramos a tempestade e penetrou um pouco mais para oeste, enquanto os botes eram reparados e se faziam velas novas..."

Creio que isto não tem nada de especial. Nada, mesmo.
Na verdade, este é um livro sobre o bem e o mal, a razão e o instinto. O bem e o mal em dias calmos e luminosos. O bem e o mal frente a frente nas ondas negras e colossais. Homens bons sem coragem. Marinheiros que tropeçam e caem. Gente que nunca esperou nada da vida e endireita as costelas dos outros. O dia a dia disciplinado e rígido de uma embarcação. Comandantes, nevoeiros, imediatos, botes, bombordo, estibordo, alimentos putrefactos, homens ao mar. O cheiro a sal. Uma mulher. Nada de especial.

Eu, para ela:  Estranhamente, nós não temos esta tradição. Não temos uma narrativa do mar. Sobre coisas que se passam entre os homens e o mar. Uns fartos dos outros, em alto mar. Dias e dias seguidos a secar a roupa no próprio corpo. A ver as mesmas caras e a ouvir as mesmas histórias. Uns a conhecerem os segredos dos outros.
O que nós temos, é diferente, temos belos poemas sobre o mar magestoso. O mar delicado e encantado. O mar cruel e implacável (o que mais gostamos). O mar cemitério.
Trata-se sobretudo, de uma relação de reverência (o que não nos coíbe de o encher de lixo, pela calada da noite, mas pode ajudar a explicar o mistério do incomportável preço do peixe).

Uma vez por outra, devíamos tentar tratá-lo por tu. Sem compromisso.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quem fala verrdade não merrece castigo

A prrincípio enerrvava-me porr tudo e porr nada.
-Não te enerrves tanto raparriga, grritava-me carrinhoso o meu amigo Reims. Grritava porrque de outrra forrma eu não o conseguirria ouvirr (trrata-se de um cavalheirro).
Com o tempo, porrém, reconsiderrei e renasci parra a vida (mais ou menos como as florres, mas porr prrocessos menos marrotos...).
O que vos posso contarr, senhorras e senhorres, é que encontrrei o caminho da verrdade.
E a verrdade, é que o materrial tem semprre razão.
Semprre!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O rei está morto. Longa vida ao rei!

-Os media gostam de dizer que a França caiu, em vez de dizerem
  que perdeu. Na hora da saída ninguém poupou na zombaria,
  nem na risota;

-A imprensa espanhola está excessivamente corrosiva.
  Até se pode perceber que o seja com a França,
  mas porquê tanta grosseria com a Itália?

-Considero os media holandeses e alemães mais contidos e respeitosos,
  mas acho que é por eu não saber ler o que escrevem, nem entender
  o que dizem;

-A Eslováquia mereceu mesmo passar aos oitavos. Viva a Eslováquia!

-O south american way está mais contagiante do que nunca,
  mas o Brasil nem por isso (nem a Alemanha consegue ser
  tão previsível);

-Já repararam como o Dunga é rude e mal educado com os jornalistas?
  E queixam-se do Maradona!

-O Fábio Coentrão é o mais esforçado e trabalhador de todos.
  Força Coentrão!

-Os desportistas africanos estão cada vez mais fortes.

-Falta ambiente de futebol neste Mundial. Não se ouvem pessoas
 durante os jogos.
 Fazem falta os cânticos, os gritos e as vozes das bancadas.
 Ouvem-se vuvuzelas!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma canção de amor nem sempre parece uma canção de amor



Eu sou de Abril, e os de Abril habitam uma espécie de último reduto selvagem da humanidade.
Um traço de carácter d' os de Abril: custa-lhes esse fenómeno típico da alta civilização, que é aprender a gostar.
Custa, mas não é impossível. Aconteceu-me com a música do Mikkel Solnado.
Como pude em algum momento desprezar e maltratar 'We can do anything'?
Gosto tanto de ouvir 'We can do anything'!

Antes assim. É muito melhor descobrirmos que gostamos, do que o contrário. Mesmo que seja à força de o aprender!

Com o tempo, 'We can do anything' começou a revelar-se melódica e sem segredos. Ouvia mais e mais e  pensava:  isto é tão alegre, tão simples e sincero. Tão bom de ouvir!
Não é fácil conquistar os de Abril.

E é de aproveitar, porque não é todos os dias que se celebra o amor e a vida. Ainda para mais, com tantas palmas e alegria!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Falsas, dizem eles!

O jornalista Nando Garcia (ex - El Mundo), criou uma agência para apoiar pessoas que se dizem prejudicadas, nos media. Entre os seus ‘clientes’ estão Gaetano Pisano e Blandine Pellet, dois artistas plásticos que vivem em Girona e que, há tempos, venderam algumas das suas obras ao nazi Aribert Heim. Tanto Pisano como Pellet afirmam desconhecer a vida de Heim à data da venda das obras e negam em absoluto as alegadas ligações ao nazi, que os media espanhóis têm sugerido.

Pisano e Pellet querem repor o seu bom nome e exigem justiça junto da opinião pública. Por isso, recorreram à agência de Garcia, a quem também não faltam razões de queixa sobre os media, que diz terem arruinado a sua vida profissional, com a publicação de calúnias infundadas. Uns e outro contaram isto e mais coisas ao El País (onde eu os conheci, num artigo ironicamente intitulado “Demasiadas historias falsas”).

-Há muita coisa a mudar nos media e os media. Não sei se a agência de Garcia, a CYNC é o melhor exemplo disso, mas é um bom sintoma. E o destaque que o jornal lhe dá, também.

-Faz-me algum sentido que esta presença de Pisano, Pellet e Garcia nas páginas do El País seja fruto do trabalho de media relations da agência do ex-jornalista do El Mundo. Mas isto não está lá no artigo. Sou eu a pensar alto ( e a achar que ele não trabalha nada mal…)

-Faz-me sentido que Pisano, Pellet e Garcia procurem limpar os seus nomes precisamente onde acham que se sujaram: nos media, isto é, junto da opinião pública. Os tribunais já não são suficientes.

Mas, e se o El País tiver sido precisamente um dos jornais que antes lhes ‘sujou o bom nome, a integridade pessoal e profissional’? O jornal não é explícito quanto a isso, mas pode ter noticiado o mesmo que os outros, é o mais normal.
Então: o jornal publica uma notícia a acusar ligações entre o casal e o comprador de arte nazi e meses depois publica outra a explicar que o casal se queixa da notícia anterior acusando-a de falta de verdade e rigor, mais: diz que o casal se juntou a outros queixosos de outras notícias pouco verdadeiras, numa agência que nasceu para ajudar gente que se queixa de ser injustiçada e maltratada pelas notícias dos jornais, e trabalha para repor a verdade e o seu bom nome. Onde? Nos jornais, justamente.

Não sei bem dizer o que isto é. Mas é modernaço!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Olhai, que é o Paraguai!

Calma, Rocky, mas é claro que eu acredito! que disparate! Vá lá, não vale a pena nada disso...



O Paraguai não levou ao Mundial uma equipa qualquer. Prova disso, é que está a dar luta no seu grupo, batendo-se de igual para igual com equipas muito convencidas e sem graça, como é o caso da Itália. O desporto também tem esta vertente curiosa e socialmente muito importante: o de mostrar outras facetas dos países e dos seus povos, bem diferentes das ideias preconcebidas de que os media tanto gostam, porque estão convencidos que é disso que, no geral, as pessoas gostam.
Adiante.
Olha-se para esta foto e o que se vê? Vê-se que o Paraguai não é só contrabando e coisas dessas. Também tem o Roque Santa Cruz ( e, já agora, tem Cardozo, que não é da mesma cepa, é verdade, mas joga no Glorioso...).
Olha-se para esta foto e o que se vê? Vê-se uma organização de jogo que faz corar a Alemanha e a Holanda. Já para não falar da disciplina em campo que é... como hei-de dizer... é a que está à vista.
Vê-se rapidez no contra-ataque e uma perfeição nos passes para ensinar a Ronaldos e Messis.
Dificuldades em concretizar? Humm...
É o futebol paraguaio no seu melhor. Pelo menos é o que eu vejo e eu não vejo nada mal!

terça-feira, 15 de junho de 2010

No país do 'ponciopilatismo'

Descobri alguns escritos do jornalista Artur Portela Filho. Estão reunidos numa edição da Arcádia (cinco volumes) do início dos anos 70 e que se chama 'A Funda'.
Portela Filho escreve sobre o país: a sociedade e os seus viciozinhos e maniazinhas e manobrazinhas e caneladazinhas e politicazinhas. Portugalzinho.
Há quem diga que é maldizente e detractor, o que, muitas vezes, é outra forma de dizer:  informado, atrevido, incómodo, cáustico q.b.
Portela Filho tem uma escrita despretensiosa, assertiva e com humor. Tem a sua voz.
É muito bom uma pessoa abrir um livro, ou um jornal, e encontrar lá disto.
Creio que muitos dos escritos de 'A Funda' não foram publicados em jornais. É o caso de 'Os Educocratas':

Outro dia, estive numa mesa redonda sobre Educação.
Estava um médico e estava um filósofo. Estava um advogado e estava uma professora da Faculdade de Letras.
E, claro, um educocrata.
Já era, quando lá chegou, vindo de um qualquer congresso, mas não sabia.
Continuava a ser, quando de lá saiu, a caminho de outro qualquer congresso, mas também não sabia.
E era-o porque tinha, da Educação, uma certa ideia. Esta: a reforma da Educação é, em si mesma, uma libertação.
E, consequentemente, esta: a reforma é apolítica.
E, claro, esta: os reformadores são apolíticos.
Ou, o que é o mesmo - se a reforma é uma política , é uma política da Educação. E só. Se o reformador é um político, é um político da Educação. E só.
Do resto, lava as suas mãos.
Isto é - a educocracia é um ponciopilatismo.
...
(Vol 4- pp.101)

domingo, 13 de junho de 2010

A Cartola


O António ('Tó Trips') diz que está atento ao que se passa na rua, porque também quer sentir a vida a passar por ele. Disse-o à Inês Meneses, no 'Fala com Ela', da Radar.
Estaria a usar a cartola? 
Como dissociar a música do Tó, daquela atmosfera dramática que a sua personagem cria nos espectáculos dos Dead Combo? Como escapar àquele esconde - quase que esconde- mas não esconde, que ele faz com a cartola? E com os movimentos ondulatórios sobre a guitarra?

Agora vou voltar a ouvir, mas de olhos fechados, para ver como é.

domingo, 6 de junho de 2010

Manhattan, where else?


Não tenho a certeza se foi em 'Manhattan' que Woody Allen e Diane Keaton se apaixonaram, mas foi aí, (à saída do museu) que, no meio de um diálogo mirabolante, ele lhe disse: - you should meet some stupid people once in a while... you can learn something!

Isto está nos antípodas do ensopado de lugares comuns e estereotipos que é 'Vicky Cristina Barcelona', mas já está mais próximo do quase monólogo existencialista  do Larry David, na comédia negra 'Whatever Works'.