segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Embora!

Diz lá outra vez Palma, é a última vá lá, vá lá, juro!:

chegaste com três viténs
e o ar de quem não tem muito mais a perder
...
mandaste a minha solidão embora,
mostrei-te a origem do bem e o reverso
...
sei que essencialmente isso se deve a esse passo inseguro
 e ao paraíso no teu olhar
...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Amor (II)

Glopeei o antebraço quando tentava arrancar um ramo da japoneira.
Insisti!
Sangue morno a misturar-se com o verde largo e carnudo das folhas da japoneira.
Insisti!

O único interesse de Janeiro são as japoneiras em flor!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Que tempos, estes!


Estas bochechas eram minhas?
Usava aquelas pérolas???
E o chapéu???   
E ia para a redacção nestes propósitos?
tsss... tsss... 

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Must you go?

A ler excertos do diário-biografia de Antonia Fraser sobre os dias que viveu com Harold Pinter.

Página a página, Fraser fala como se Pinter estivesse ali, na sala ao lado. E fosse entrar, a qualquer momento, descontraído, a dizer: - Olá, querida!

Conta-se ( ela e todos os que os rodeiam), que esta incrível história de amor terá começado com um improvável e descabido , - "Must you go?", que Harold dirigiu a Antonia, no final de uma festa, enquanto cordialmente se despediam. Acabadinho de a conhecer! Casada com o deputado conservador Hugh Fraser, mãe de seis filhos, a circunspecta Antonia respondeu que não. Não tinha mesmo de ir!

Antonia Fraser e Harold Pinter viveram juntos entre 1980 e 2008 , ano em que Pinter morreu.

Em 2007, já doente, Harold escreveu a Antonia: “Vou ter tantas saudades tuas quando morrer”.
“Must you go?”, perguntou-lhe ela, em 2008.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Entre a Deus e a Mar

Contou-me a Maria de Deus e, por isso, é verdade:

A previsível, monótona e acomodada da Maria do Mar anda a tentar fechar uma porta a que inadvertidamente bateu!

(lembraste Deus, quando faziamos o percurso todo, do Liceu de Oeiras até casa, a tocar às campaínhas e a fugir?)

Alegoria da Caverna

Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam?

"Equilíbrio"


Amor (I)

Não é fácil conservar a frescura do basílico, mas Júlia consegue-o, como ninguém. Usa um gesto treinado e preciso para sacudir os raminhos, um a um. Separadas delicadamente as folhas, liberta-se o aroma...
Não lhes toca! Nem cheira ostensivamente, como muitos fazem.
O basílico é da família do mangerico. Ambos vivem sob ameaça de morte súbita!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Raridades

A Vi já tinha ficado banzada com os cuspidores de fogo que viu, certa vez, em Ankara!
Depois disso, ainda conheceu, em Goa, uma criatura que caminhava sobre pregos e vidros e se deitava plácido, sobre chapa incandescente.  E uma outra que revirava uma lâmina na língua, enquanto choramingava canções de amor, pelas ruelas escuras de Djémila, na Argélia.

E os espantosos engolidores de peixe cru?
já viste algum, Vi?

Um dia não são dias

Segunda-feira :
...manhã, tarde, sexta-feira ou domingo, cedo, menos cedo, escuro, claro ... (manhã!)

Terça-feira:
é assim, mesmo. Paciência! Aguenta!
- Desculpe, mas não é permitido sentar-se!

Quarta-feira:
chove menos... quase não chove, será que chove?
(sim, chove!)

Quinta-feira:
vira-te, visto-te o impermeável! A Vi está assim por causa do Alfredo! Não há dia que não se vejam, mas desencontraram-se, já lá vão uns anos

Sexta-feira:
diospiros já não há, menina, acabaram-se em Janeiro. Leve laranjas!
(parvo!) (sabem ao mesmo, é?)

Sábado e Domingo (gémeos)
sonhei que inventava recordações (toda a gente o faz) e que rasgava a carne a coçar-me, derivado da urticária!


Segunda-feira:
manhã, tarde, sexta-feira ou domin
...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Erótico, vem de erro!

A Bovary criada por Agustina para ´Vale Abraão´, tem um desnível numa perna. Daí o ligeiro coxear:
TAC, tac, TAC, tac, TAC, tac... quase imperceptível.
Sente-se, mais do que se vê, ou ouve!

Belíssima, Emma tenta, a todo o custo, dissimular o defeito. Fala alto, disfarça, ri. Muito mais do que a conta.
Em vão!
Há qualquer coisa (desgovernada) naquele andar defeituoso...


"É o erro que é erótico, não a beleza", escreve Agustina Bessa Luís.
Sabe o que diz.
Pois se foi ela quem inventou tudo isto!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Desaparecer

A propósito da morte de J.D.Salinger (por estes dias), retornei ao Dr.Pasavento - um clássico, entre as minhas fixações- .
Ambos recusam obstinadamente a ideia de qualquer reconhecimento por via das suas obras mas, ao contrário de Salinger que, sem nunca ter abdicado do direito de não ser famoso, optou por uma vida recolhida, Pasavento tem a obsessão do próprio desaparecimento e da obra que produz.
O desvanecimento da sua escrita seria também o seu, convence-se, a dada altura.
Exercita nova caligrafia, reduzindo drasticamente o corpo da letra e substitui a impressão  forte da caneta pela leveza da marca do carvão. Desaprende o encaixe dos dedos, soltando ligeiramente o lápis enquanto escreve. Quer dizer, enquanto...  já não escreve!



( À parte:  )
Não, isto não é 'piretecnia'

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

pode ser um canto de sereia...
alindada vens dar-me o arroz....
é arroz integral...
infernal...
é pó...